Review: Dois Irmãos

Dos hermanos (Daniel Burman, 2010)

Sinceramente, eu esperava que o filme fosse melhor pelas críticas que li, mas é bom. Tem um clima amargo, mas não muito pesado ao mesmo tempo. É a história de um irmão e uma irmã que precisam conviver um com o outro, mas não se suportam.

Os atores são muito bons, a direção não chama muito a atenção. Nos créditos finais há uma espécie de spin-off em que os atores ficam sapateando ao som de um arranjo muito legal de Puttin’ on the Ritz. Gostei mais que do filme em si. xD


Gilgamesh

Em escrita cuneiforme e provavelmente a história mais antiga do mundo que ficou gravada. É assim que sempre nos referimos à Epopeia de Gilgamesh.

Desde a primeira vez que ouvi falar dessa história, eu tinha vontade de ler. E só foi agora, depois de anos, que consegui.

Gilgamesh é um rei da Suméria que quer ser herói; ele junto com Enkidu praticam vários atos heróicos, mas Enkidu acaba adoecendo e morre. Gilgamesh fica desesperado ao perceber que nada adiantaria o seu heroísmo, a sua força sobre humana, a proteção divina; ele vai morrer cedo ou tarde. Ao dar conta da mortalidade a que está submetido, Gilgamesh só pensa em conseguir uma coisa: a vida eterna; que eventualmente escapa e ele percebe que a morte é o destino de todas as coisas vivas.

O dramaturgo romano Terêncio escreveu em uma de suas comédias que era humano e nada humano lhe era alheio*. Essa frase nunca saiu da minha cabeça; e ela palpita toda vez que vejo pessoas agindo da mesma forma durante toda a História da humanidade. O poema épico foi escrito há quase cinco milênios; e as coisas que atormentavam o rei ainda são as mesmas que nos atormentam na contemporaneidade; querer se sobressair de uma certa forma, o medo quase mortal da morte, o abuso de poder, a devoção aos pais e deuses e às vezes a sensação de abandono e de não pertencer, e a tristeza do amor perdido.

Milênios se passaram, o avanço tecnológico foi absurdo de lá pra cá, melhoramos a nossa forma de armazenar conhecimento e de nos comunicarmos e pra quê? Para que nossas ações e medos e desejos sejam exatamentes os mesmos dos primeiros seres humanos.

É… Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais**.

          

* “Sou humano e nada humano me é alheio”, da peça Heautontimorumenos de Terêncio.

** Da música Como Nossos Pais de Belchior.


Review: A Suprema Felicidade

A Suprema Felicidade (Arnaldo Jabor, 2010)

Filme bonitinho. Meu primeiro Jabor, porque apesar de todo mundo falar que ele é bom cineasta, eu simplesmente não consigo dissociar da imagem que eu tenho de comentador tosco de jornal.

Conta a história de um garoto através das suas memórias que se confundem com a história da sociedade brasileira. As melhores partes ficam por conta de Marco Nanini, sem dúvida.


Top5: Coisas Fascinantes

Todas as coisas listadas abaixo incluem outras que não listei porque estão presentes em todos os itens. Essas são: a vida, a consciência, a dúvida, a curiosidade; ou seja, tudo aquilo que nos faz humanos em primeiro lugar.

5. A Arte

Essa capacidade que a gente tem de reproduzir o mundo a nossa volta de modo que todos consigam interpretar e compreender. Essa capacidade de produzir cultura, como diriam os antropólogos, é o que torna o ser humano único.

4. O Mar

Dá vontade de correr pra ele toda vez que vejo. Deve ser aquela ideia de infinito, porque não enxergamos seu fim. Ou então a ideia de que foi onde tudo começou. Não sei ao certo o que é… Mas o mar tem algo de irresistível. 

3. A História

As ciências em geral me fascinam. Mas essa que estuda a humanidade desde seus primórdios me encanta. As civilizações antigas, as ações humanas no decorrer do tempo, as revoluções modernas… Mas confesso que tem algo de desesperador ao constatar que a humanidade age da mesma forma há milênios.

2. Os Livros

O Carl Sagan falou uma vez que os livros são a prova de que o ser humano é capaz de fazer magia. Eu concordo com meu mentor. Que beleza essa invenção, é mesmo um fascínio poder acumular conhecimento dessa forma. E também a literatura, quantas histórias maravilhosas cabem num espaço de algumas páginas. É uma forma de lermos o pensamento de outras pessoas.

1. O Cosmos

Porque quando o contemplamos dá aquela sensação esquisita. Um desconforto fascinante. A certeza de que tudo é grande e depois o desespero de que a vida é pequena. O infinito em face ao fim. Belo e monstruoso. O tudo e o nada. O absurdo.


Review: Vincere

Vincere (Marco Bellocchio, 2009)

O filme conta a história de Ida Dalser, uma amante de Mussolini que acredita ser sua esposa legítima e, por persegui-lo, acaba sendo mandada para um manicômio.

Eu esperava mais do filme, acaba sendo enrolado em algumas partes, mas tem cenas históricas muito interessantes, muitas cenas reais de arquivo sendo mostradas, mas só isso.


Review: Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro (José Padilha, 2010)

Capitão Nascimento, ou melhor, tenente-coronel Nascimento está de volta, agora trabalhando pra Inteligência da Secretaria Pública do Estado do Rio. Lá, ele transforma o BOPE numa máquina de guerra, como ele mesmo diz. Mas o revés vem quando os policiais corruptos aproveitam a situação para explorar as favelas com as milícias.

O filme mais comentado do momento no país vale a pena ser visto. Se o primeiro trata mais da corrupção policial, esse vai além, o filme novo faz a conexão da corrupção da polícia com a corrupção política. Muito bem atuado e dirigido e com cenas fortes como o anterior.


Esse é um site que te rouba uns minutinhos, mas muito interessante e bonitinho também. É só colocar o ano do seu nascimento e ele te dá uma série de fatos sobre tal ano. É interessante ver como muitas coisas da história mundial são partes da nossa história pessoal.

Pena que é em inglês e não mostra nada dos acontecimentos importantes do Brasil no período.

Review: Comer Rezar Amar

Eat Pray Love (Ryan Murphy, 2010)

Antes de mais nada, achei esse pôster lindo.

O filme em si não é grande coisa, mas chega a ser bonitinho em algumas partes. Conta a história de uma mulher que cansou da vida que levava e viaja para três diferentes cidades onde faz o que o título profético do filme diz: come, depois reza, depois ama.

Um título ainda mais profético seria: Enrolar, Comer, Enrolar, Rezar, Enrolar, Enrolar, Amar, Enrolar. Isso porque o filme é muito longo para pouca história. Mas no fim tem o Javier Bardem (no papel de um brasileiro com sotaque mais para português, ó pá) pra gente poder ver.


Quiz dos filmes da Disney
Esse foi retirado do tumblr mesmo. Por aqui há vários quizzes que as pessoas chamam de desafios (challenges) cuja proposta é postar uma das resposta por dia num mês com figuras, exemplos, trechos. Mas como sei que eu não atualizaria diariamente, fiz um compacto das minhas respostas no challenge da Disney que está rolando.
1. Personagem favorito: Pato Donald.
2. Princesa favorita: Tenho que ir com minha favorita da infância, A Bela Adormecida.
3. Heroína favorita: Alice.
4. Príncipe favorito: Alladin (ele foi príncipe por alguns momentos no filme).
5. Herói favorito: Peter Pan.
6. Animal favorito: Eu ia com o Pato Donald de novo, mas acho que quer dizer animais não antropomorfizado. Então o Gato de Cheshire, Timão, Baguera ou Balu.
7. Ajudante favorito: O Gênio do Alladin.
8. Vilão favorito: A Rainha Má da Branca de Neve.
9. Personagem original Disney favorito: Pato Donald.
10. Canção favorita: A letra que eles fizeram pra valsa da Bela Adormecida do Tchaikovsky ficou muito fofa.
11. Canção de amor favorita: Só pra não escolher a mesma acima, uma cena de amor mais bonitinha com uma música linda, Um Mundo Ideal, de Alladin.
12. Canção de vilão favorita: A que eu lembro agora que é mais marcante é Cruela Cruel.
13. Canção que menos gosta: Aquela música dos gatos siameses em A Dama e o Vagabundo me causava arrepios quando eu era criança. Desgosto até hoje.
14. Beijo favorito: Piegas, meio brega, mas eu escolho A Dama e o Vagabundo e a cena do espaguete! ^^♥
15. Primeiro filme que viu: Não me lembro mesmo disso.
16. Clássico favorito: São tantos, pelo menos uns cinco eu teria que escolher. Desses, acho que só não citei ainda Pinóquio e A Bela e a Fera. Então deixa eles aparecerem um pouco aqui.
17. Clássico que menos gosta: Qualquer um do Ursinho Puff. PUFF, caramba!
18. Filme da Pixar favorito: Geri's Game.
19. Filme da Pixar que menos gosta: Deve ser Carros.
20. Sequência favorita: Fantasia 2000.
21. Filme superestimado: A Branca de Neve e os Sete Anões. É ótimo, mas não o melhor de todos.
22. Filme subestimado: Alice no País das Maravilhas. Sério, considerando as adaptações por aí, o clássico animado (ANIMADO!) da Disney é o melhor que tem.
23. Filme que te faz rir: Você Já Foi à Bahia? Me deixa feliz! xD
24. Filme que te faz chorar: Difícil, mas chorei diante da terrível adaptação que o Tim Burton fez da Alice.
25. Cena favorita do filme favorito: Nada me encantava mais quando criança do que a Mary Poppins entrando no quadro desenhado no chão.
26. Morte mais triste: Tem que ser o pai do Simba em O Rei Leão.
27. Citação favorita: Hakuna Matata.
28. Parque favorito: Não tenho ideia, nunca fui e não pretendo tão cedo.
29. Atração favorita do parque: Deve ser qualquer montanha russa magnífica.
30. Espetáculo favorito do parque: Deve ser a parada dos personagens.
“Tudo começa pela consciência e nada vale a não ser por ela”

         Existem autores que eu leio anualmente. Meu amado Albert Camus é um deles. Não porque não gostaria de ler todos os livros dele em uma tacada, é que preciso tomar em pequenas doses, se não ele me mata. Ainda mais que sempre engulo de uma vez, dando pouco tempo à digestão. Camus me dá dor de estômago, mas é um vício que eu tenho conseguido manter sobre controle.

         A leitura desse ano foi O Mito de Sísifo. Belíssimo livro dele que me desceu surpreendentemente muito bem. É um tratado filosófico defensor da teoria do absurdo. “Essa estranheza do mundo é o absurdo”. Desenvolvendo o absurdo, Camus faz um elogio à vida. É um livro cheio de citações lindas e deixo algumas com vocês agora:

         Mas é ruim parar, é difícil contentar-se com uma maneira de ver, privar-se da contradição, talvez a mais sutil de todas as formas espirituais. O que se diz acima só define um modo de pensar. Agora, a questão é viver.”

         O que resta é um destino de que só a saída é fatal. Fora dessa única fatalidade da morte, tudo, alegria ou felicidade, está liberto. Permanece um mundo de que o homem é o único senhor. O que o prendia era a ilusão de um outro mundo. A inclinação de seu pensamento não é mais a de renunciar, mas a de explodir em imagens. Ele se representa em mitos, não há dúvida, mas mitos sem outra profundidade que a da dor humana e, como esta, inesgotáveis. Não a fábula divina que diverte e cega, mas o rosto, o gesto e o drama terrenos em que se resumem uma difícil sabedoria e uma paixão sem amanhã.”